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O que é Equilíbrio Emocional?

Entre algumas das definições possíveis da palavra “equilíbrio”, encontradas no dicionário Novo Aurélio, (Editora Nova Fronteira, 1999) estão que: 1) é o estado de um sistema que é invariável com o tempo; 2) é a manutenção de um corpo na sua posição ou postura normal, sem oscilações ou desvios. Essas definições, particularmente em relação às emoções, podem fazer com que algumas pessoas acreditem que ser equilibrado corresponda a não se deixar afetar pelos acontecimentos ruins da vida, permanecer frio e impassível diante da maior tragédia, ou confusão; ser imune a todos os problemas. Aliás, recebo muitas mensagens pedindo exatamente isso: um jeito, uma técnica, uma maneira de não se deixar afetar pela morte de pessoas queridas, por problemas financeiros, pelo abandono ou pela traição sexual do parceiro de muitos anos. O triste dessa história toda é que em psicologia não existe fórmula pronta para nada – cada um tem uma história de vida tão especial, tão única que, embora todos se pareçam muito em relação aos sintomas, dificilmente vão encontrar soluções iguais para seus problemas. E, além disso, o que parece solução pode ser uma armadilha asfixiante: se não se sente a dor, como vamos sentir o prazer? Se não permitimos a circulação controlada dos elementos, vamos definhar até o isolamento total do nosso centro, como acontece muito em algumas doenças mentais: a imagem é de alguém construindo com pá, tijolos e cimento uma espécie de iglu de concreto, subindo acima e em volta de sua cabeça até fechar tudo em torno de si mesmo – se nada entra, nada sai. Uma “parede” permeável da bolha protetora que nos envolve, a semelhança da homeóstase celular, vai tender sempre ao equilíbrio, permitindo a troca com o ambiente.
“Boa proporção, harmonia; moderação, prudência, comedimento; autocontrole, autodomínio, controle, balanceamento”, continua a definição do Novo Aurélio – o equilíbrio emocional nada mais é do que responder harmonicamente, proporcionalmente ao que nos acontece externamente: ficar alegre quando o acontecimento é alegre, ficar triste quando coisas tristes nos acontecem. É a capacidade de sair de cena na hora certa. Quando começamos a responder a acontecimentos internos – pensamentos, fantasias e lembranças – ao invés de aos acontecimentos externos, sem o perceber, e em franco desacordo, estamos em desequilíbrio. Como por exemplo, quando tomamos como ofensa qualquer observação feita por outra pessoa; quando respondemos aos berros a uma crítica de alguém, mesmo que esse alguém esteja sendo injusto; quando tomamos como dirigida a nós qualquer comentário ou observação feito ao acaso; quando choramos sem motivo aparente; quando aceitamos fazer coisas com as quais discordamos; quando tomamos como rejeição a nós como pessoa uma discordância a uma atitude ou pensamento isolado,ou ainda quando manifestamos medo não justificado pela experiência e pela razão. Como afirma Karen Horney, em “Conheça-se a si mesmo”, … “A pessoa (…) com toda a probabilidade se sentirá ofendida ou injustiçada por um individuo em particular ou pela vida em geral e aceitará como legítima sua reação de mágoa ou ressentimento. Em tais situações, é preciso muita lucidez para distinguir entre uma ofensa real e uma imaginária. E mesmo que a ofensa seja real, não tem de produzir necessariamente essas reações: se ela não for vulnerável ao que outros lhe façam, há muitas ofensas a que ela poderá reagir condoendo-se do ofensor ou reprovando sua atitude, quiçá com uma luta declarada, em vez de ficar ressentida ou magoada. É muito mais fácil apenas sentir um direito de ficar zangada do que a examinar exatamente qual o seu ponto vulnerável que foi atingido. Mas, para seu próprio interesse, é desta forma que ela deverá proceder, ainda quando não haja dúvida de que o outro foi cruel, injusto ou descortês.”
Os mecanismos desenvolvidos pelo homem para garantir a satisfação de suas necessidades emocionais funciona tal qual os fisiológicos: atuam de forma instintiva e automática. Foram aprendidos da mesma forma que a linguagem e os processos de raciocínio, para lidar satisfatoriamente com as ansiedades geradas por emoções como ressentimentos e frustrações e para atender as nossas necessidades de afeição e segurança, integrando e mantendo estáveis nossas funções psíquicas. Mas muitas vezes, em função de conflitos emocionais não resolvidos, uma ansiedade intensa e continua é desencadeada, ou mesmo por uma incapacidade de se adaptar a situações novas, mecanismos de defesa superados passam a ser usados de forma rígida e repetitiva, causando sérios problemas ao funcionamento da personalidade, causando o desequilíbrio e impedindo seu funcionamento normal. Manter o equilíbrio não é difícil – basta cuidar sempre, e ao menor sinal de problema, de nossa saúde física e mental – fazendo exercícios, cuidando de nosso lazer e buscando ajuda emocional quando necessária.

Consulta: Nossos Conflitos Interiores – Karen Horney 1964 – Editora Civilização Brasileira.

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